Saúde - Saúde·21 de julho de 2026

Brasileiros reconhecem sinais do câncer colorretal, mas ainda demoram a buscar diagnóstico

Pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center e da Nexus revela que, apesar da alta percepção sobre sintomas de alerta, quase metade dos brasileiros adia a procura por atendimento médico

Por Juline Pogorzelski
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Pesquisadora Kristiane Fanti Del Pino no laboratório da FACFAN da UFMS. Foto: Arquivo pessoal

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Uma pesquisa recentemente divulgada revelou que oito em cada dez brasileiros reconhecem como graves sintomas associados ao câncer colorretal, como a presença de sangue nas fezes e alterações persistentes no funcionamento do intestino.

O estudo inédito, realizado peloA.C.Camargo Cancer Center em parceria com aNexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, também mostrou que, apesar do elevado nível de percepção, quase metade das pessoas que identificam esses sinais demora ou deixa de procurar atendimento médico, evidenciando um descompasso entre o reconhecimento dos sintomas e a busca pelo diagnóstico precoce.

A pesquisa "A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos" entrevistou presencialmente 2.015 brasileiros com 16 anos ou mais, distribuídos pelas 27 unidades da Federação. A coleta de dados foi realizada entre 25 e 30 de junho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Entre as principais descobertas, o estudo apontou que 80% dos brasileiros consideram grave a presença de sangue nas fezes ou alterações intestinais que persistam por mais de um mês, sendo que 42% classificam esses sintomas como "muito graves". Esse percentual é ainda maior entre pessoas que já conviveram de perto com casos da doença.

Apesar desse nível de conscientização, o câncer colorretal ainda está distante da realidade da maior parte da população. Apenas 21% dos entrevistados afirmaram conhecer alguém que teve a doença — sendo 15% um parente próximo e 6% um amigo ou conhecido — enquanto 75% disseram nunca ter tido contato com pacientes diagnosticados com esse tipo de câncer.

O levantamento também identificou que, embora 67% dos brasileiros associem sangue nas fezes e alterações intestinais prolongadas ao câncer colorretal, apenas 24% fazem essa associação com convicção. Para outros 43%, a relação existe, mas de forma moderada, indicando que ainda há espaço para ampliar a conscientização sobre os principais sinais de alerta da doença.

O cenário reforça a importância do estudo. Segundo estimativa doInstituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano durante o triênio 2026-2028, tornando a doença o segundo tipo de câncer mais incidente no país.

Confira outros dados relevantes evidenciados pela pesquisa:

Entre o alerta e a ação

  • Entre as pessoas que já perceberam sangue nas fezes, apenas 59% procuraram atendimento médico imediatamente. Os demais adiaram a busca por ajuda, recorreram à automedicação, utilizaram remédios caseiros ou simplesmente aguardaram o sintoma desaparecer.

Exame preventivo ainda é pouco conhecido

  • 67% dos brasileiros nunca ouviram falar do exame de Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), utilizado no rastreamento precoce do câncer colorretal. Apenas 11% já realizaram o exame.

Jovens e homens lideram o desconhecimento

  • O desconhecimento sobre o PSO é ainda maior entre jovens de 16 a 24 anos (85%), homens (76%), pessoas de menor renda (73%) e indivíduos com escolaridade até o ensino fundamental (72%).

Contato com a doença amplia a prevenção

  • Entre pessoas que tiveram ou conhecem alguém com câncer colorretal, a realização do PSO é significativamente maior: 21% já fizeram o exame, contra apenas 8% entre aqueles que nunca tiveram contato com a doença.

Diferenças regionais e socioeconômicas

  • A procura imediata por atendimento médico diante de sintomas é mais frequente entre pessoas com melhor condição financeira (86%), idosos acima de 60 anos (72%), moradores da Região Sudeste (72%) e mulheres (63%, ante 54% dos homens).
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Juline Pogorzelski

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